Seis segundos de atenção


Ao contrário do que muitos pensam, este blog não se trata apenas de quadrinhos ou de filmes derivados dos mesmos. Por isso, hoje eu vim trazer ao blog, mais especificamente pra área de livros, uma indicação. Uma daquelas que exigem mais do que seis cordas pra guitarra, seis sentidos na mesma direção, seiscentos anos de estudo ou Seis segundos de atenção. 
   Humberto Gessinger sempre foi conhecido como um músico gaúcho multi instrumentista ou o vocalista dos Engenheiros do Hawaii, poucos o conhecem como o escritor de mão cheia que ele é. Apesar de que isto não deveria ser novidade nenhuma levando em conta a qualidade das letras escritas pelo mesmo.
Nem tudo é chato pra caralho, é claro. Dizer "tudo" é morrer. O mantra ajuda a chegar às coisas que nunca são chatas pra caralho :um par de olhos, um pôr de sol...
   Este livro é composto em sua maioria por crônicas. E eu devo confessar que nunca fui fã de crônicas. Mas a forma com que elas são escritas,as situações com que são comparadas ou a forma com que te impactam quase que no mesmo momento me fascinaram.
Faz parte. O fim pode chegar para o próprio universo que - dizem -se contrai e expande. Só o amor - sinto - tem sempre e para sempre terá o tamanho exato. Como o fole da sanfona, que abre e fecha e está sempre no tamanho certo. Soando acordes maiores ou menores, mas sempre do tamanho certo
  O tema específico do livro, claro, se você precisar de algo assim para levar como motivação, é o tempo. Inclusive as citações que são construídas em cima do tema tempo, são aqueles tipos de frases que no momento podem não fazer nenhum sentido, mas um dia dentro do ônibus ou procurando um emprego nos cartazes pela rua, elas vão surgir do nada.

A única coisa que podemos fazer com o tempo é escolher o que fazer com ele (cuidado: estaremos também escolhendo o que não fazer!) Mostre-me alguém que reclama não ter tempo pra nada e te mostrarei alguém que pensa ter tempo pra tudo. Querer agarrar o mundo com as mãos é a melhor receita pra ficar de mãos vazias. 

 Caso você se preocupe muito com a estética do livro, assim como eu, devo dizer que o trabalho na edição é demais. As páginas se intercalam entre pretas e brancas e acredito que isso seja possível graças ao belíssimo papel couché. Em cada intervalo entre as crônicas, temos um vislumbre em letras compostas por Humberto e alguns companheiros de estrada como Duca Leindecker, Bebeto Alves, Dinho, Rodrigo Tavares etc.
 
 Enfim, leitura mais do que recomendada. Eu diria que para um amante de leitura, música ou ambos, este é o livro perfeito. Humberto sempre teve destaque por belas letras e melodias e com certeza o livro só deixa isso mais explícito.

Nota : 10/10

Share this

Related Posts

Previous
Next Post »