Grant Morrison e Batman | Uma fase que todo mundo ama e eu odeio


Grant Morrison é sem dúvidas um dos maiores escritores de quadrinhos das últimas duas décadas. E talvez seja um dos poucos que conseguem manter um nível de qualidade após passar um tempo com determinado personagem. E como esse blog trata em sua maioria de DC Comics, resolvi dar a minha opinião acerca de uma fase do escritor pelo Batman, que foi de 2006 até meados de 2011.

Em primeira estância devo dizer que nunca fui fã do trabalho do Morrison, apesar de gostar e ter uma espécie de carinho por Crise Final, o magnífico Grandes Astros: Superman e o próprio Asilo Arkham (Se você já leu o roteiro original da obra, vai entender o que quero dizer) que inspirou o primeiro game da série que acredito ter cativado boa parte dos fãs de vídeo-games e quadrinhos, o escritor careca nunca me deixou um sentimento de prazer ao terminar de ler alguma de suas obras relacionadas a esse personagem. Como Mark Waid sempre deixa, por exemplo.

Enfim, vamos ao que interessa. Meu primeiro contato completo com uma fase escrita por Morrison foi muito depois de Crise Final. Na época, como eu era bem moleque, não podia ficar pedindo dinheiro toda hora e gastar quase tudo em gibi. Durante muito tempo, meu último gibi comprado em banca foi a primeira edição da minissérie "52 Semanas" que se passa após os eventos da maravilhosa Crise Infinita. Voltei a consumir quadrinhos regularmente só em 2011 com uma das primeiras histórias do Batman sobre o comando de Scott Snyder, chamada "Espelho Sombrio". Porém nessa mesma época, Corporação Batman estava começando a ser publicada em encadernados de capa cartonada. E foi assim meu primeiro contato com alguma coisa que trazia Morrison, Quitely e Batman na mesma capa.

E logo de cara não me agradou. Eu tenho um sério problema com escritores que dão tons mais leves ao Batman e outros personagens da DC que tendem a habitar o lado sombrio. E estava ali, na primeira edição, Bruce Wayne e seus Bat-Robôs (Saindo direto de Reino do Amanhã) impedindo um roubo a banco. Cara, aquilo me deixou sem saber o que pensar, mas eu aceitei a ideia. Naturalmente surgiu a curiosidade de como Bruce tinha ido parar ali. Então fui atrás de materiais que respondessem a minha pergunta.

                                                                       (*)

Inclusive eu deveria agradecer essas histórias por isso, por que se não fosse por elas eu não teria lido tão cedo o meu arco favorito do Batman, chamado de Cara a Cara (Face The Face no original).

                                                                       (*)

E foi aí meus amigos que infelizmente eu descobri que eu odiava essa fase com todo o coração. Uma das primeiras edições que li com Morrison no comando, tem uma passagem de mais ou menos 5 ou 6 páginas onde ele fica brincando com o por que de Bruce ter escolhido o morcego como símbolo. Inclusive o Alfred fica imaginando como seria se ele escolhesse X ou Y, como o Mariposamóvel. Me desculpem, eu sei que tem gente que acha isso genial e acha que transcende as barreiras do personagem, mas pra mim só é ridículo mesmo.

Aí entra uma ideia tão estúpida quanto desse careca retardado que é a de : "Vamos voltar em uma história que todo mundo desconsidera, fazer eles reconsiderarem e criar um personagem chato pra caralho que só vai melhorar quando o co-criador dele assumir os roteiros da revista daqui uns 6 anos." A história é Batman: O Filho do Demônio e o personagem é o neto do mesmo. Também conhecido por Damian Wayne.

Batman & Filho, além de ter um roteiro ridículo com todo aquele sub-plot da Tália querer o Dr. Langstrom pra criar um exército de Morcegos-Humanos, tem uma cena de ação desnecessária que termina com esse personagem novo, chato e arrogante menosprezando um personagem clássico que tem o dobro do carisma que ele. Tô falando do Tim, tá ?!

De verdade gente, acho o Damian uma das criações e mudanças mais desnecessárias dos últimos anos, junto da mudança étnica de personagens como Wally West e Helena Bertinelli. Na minha opinião, a grande graça do Robin é testar o que o Bruce pode fazer como mentor de alguém que não é relacionado a ele por sangue. Alguém que foi introduzido a esse mundo por ele, que ele treinou e orientou. Esse conceito inclusive é o que mais de interessante se tem na morte do Jason, por exemplo. E não adianta forçarem relação nenhuma, quanto mais tentarem jogar o Damian na cara dos leitores, mais chato e insuportável ele fica. Dizer que o personagem é novo, pra mim é outro argumento tosco, já que pra se gostar de um personagem ele não precisa ter 50 anos de história. O fato é que o aspecto pai e filho que o Bruce tem com Tim e Dick e a relação fraterna que esses dois tem é muito melhor que esse Robin de laboratório.



Pois bem, não demorou muito, Crise Final veio e o Bruce "morreu". Veio então a Batalha pelo Manto, que eu não acho grande coisa, mas serviu pra evoluir alguns personagens e colocar outros em seu lugar. Drake assumindo a persona de Robin Vermelho e Dick mostrando pro Jason umas três vezes que ele é só um moleque chorão. Vindo a se tornar o Capuz Vermelho de capa, com o capacete original e com uma parceira que foi fodida pelo Professor Porco, a Escarlate.

E claro, não podemos nos esquecer daquela piada de vilão, com a graça de Eduardo Flamingo.

Além disso, o próprio Grayson veio a se tornar Batman e com isso veio o maior acerto do Morrison nessa fase inteira que é Batman e Robin em paralelo com O Retorno de Bruce Wayne. Destaque pra uma das melhores cenas do Damian, onde ele bate no Coringa com um pé-de-cabra. O personagem só ganhou outro momento tão bom lá pra meados de 2012 pelas mãos do roteirista Peter J. Tomasi, onde ele, usando informações do assassinato dos avós, consegue recuperar uma das pérolas do colar de Martha Wayne.


Enfim, na minha opinião essa fase começa horrível, depois de Crise Final melhora consideravelmente mas volta a perder o rumo com o conceito da corporação Batman. Graças a Deus, Grant decidiu dar uma folguinha de DC após escrever Multiversidade, então ele vai ficar bem longe do Batman. No entanto, caso queira escrever alguma coisa relacionada aos novos Deuses eu não reclamaria. É praticamente impossível ser pior que Batman & Filho.


80 DIAS !!


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