Você lembra de quando Arrow era boa ?


É impressionante. De todas as séries de herói, seja ela da DC ou Marvel, Arrow sem dúvida foi a que mais decaiu com o passar do tempo, temporadas e adição de novas mitologias. Tentaram salvar a série muitas vezes com o romance mais ridículo e sem noção que existe nesse gênero, mas que talvez pode ser a única coisa que os roteiristas ainda planejaram direito. Claro, isso não salvou a série, pelo contrário, conseguiu jogar ela numa vala de amargura e de falta de bons arcos.

Se você amigo leitor acompanha a série desde seu início, tente-se lembrar de uma das coisas que mais ficaram marcadas na primeira temporada. As coreografias de luta. Todas eram impecáveis. Podia o Oliver estar lutando com o vilão principal ou com um simples capanga, todas as cenas eram bem elaboradas e tinham o mínimo de cuidado pra passar uma sensação de realidade. Mas se Arrow foi a pioneira da Era de Prata das séries de quadrinhos (Já que não podemos esquecer de Smallville), ela cumpriu seu papel de mãe de forma meio.. inusitada. Dizem que quando uma mulher está grávida, ela passa vários de seus nutrientes para a criança em seu ventre. Passa inclusive o cálcio de seus ossos para os de cada criança que gera; por isso se sua avó tem muitos filhos, é provável que ela também tenha problemas de locomoção.

Com a série não foi diferente. Lá pra metade da segunda temporada, foi introduzida o que muitos na época achavam ser uma tentativa idiota da DC de introduzir um de seus maiores heróis no universo televisivo. O Flash veio primeiro em forma de Barry Allen e agradou muitos dos que estavam como pé atrás, já que, se Arrow tentava ser o Nolanverso desse universo, Flash traria toda a perspectiva fantasiosa que somos apresentados cada vez que abrimos a página de um gibi. E se Flash foi o primeiro filho dessa geração, as coisas boas foram diretamente pra ele.


The Flash vem um dia antes que Arrow nos Estados Unidos - ou no Warner Channel se preferir - e veio antes a noção de diversão. Foi surpreendente o quanto a estreante agradou o público e fez Arrow ser o irmão menor que perde a atenção por quê todos amam o mais novo. Ele traz diversão, relembra experiências e inova em personalidade. Veja bem, em 4 temporadas, todos os season finale foram iguais. É sempre um exército de minions contra o patético team Arrow. Isso perdeu a graça contra o Malcom na primeira temporada e se tinha chances de ganhar graça, elas foram por água a baixo quando veio o Exterminador na segunda.

E a partir de Flash, várias outras séries surgiram fazendo tudo que Arrow tentava fazer, só que de forma melhorada. Demolidor trazia boas lutas e uma trama consistente. Agentes da S.H.I.E.L.D apesar de não ser uma série tão boa, conseguia trazer uma dinâmica de grupo mais empolgante. Até Constantine tinha soluções e casos melhores que a esquecida série do Arqueiro Verde, que, ao invés de focar nos quadrinhos e entregar aos fãs o que queriam, decidia se vender às gurias do Tumblr por uma história de amor mais fraca que filmes baseados em Nicholas Sparks e John Green.

Arrow perdeu tudo. Perdeu boas atuações - ou pelo menos convincentes, já que o protagonista é o Stephen Amell - perdeu a profundidade que dava aos espectadores vontade de continuar acompanhando. Perdeu até o rumo com esse morre-volta do caralho. Morreu, deixa morto porra. E o pior de tudo é que os produtores perderam o respeito pelos mais de 50 anos de mitologia que o personagem têm. Uma tão bonita que, qualquer fã da DC ou de quadrinhos em geral, respeita e conhece ou pelo menos já ouviu falar. Hoje, ninguém vê Arrow pelo que é. As pessoas veem pelo que foi e pelo que ela representou pro gênero lá atrás. Quando a série tinha roteiro e quando a série tinha coração.


Hoje, infelizmente, todo fã desse personagem tão cativante e interessante - que carrega tantos pensamentos morais e que poderiam inclusive serem tratados na série como forma de abordar situações corriqueiras - se sente triste. Todos nós fãs que vibramos quando Flash, que é do mesmo canal e passa com apenas 24h de diferença, nos entrega cenas retiradas de páginas dos quadrinhos, tanto atuais quanto antigos, rezamos pra que lá na Warner Bros. em algum canto escuro, alguém tenha a ideia de colocar o Arqueiro Verde nos cinemas. Por que ele assim como nós, merece muito, mas muito mais do que tem agora.

Share this

Related Posts

Previous
Next Post »