Crítica: Com atuações convincentes e roteiro medíocre, Esquadrão Suicida se torna o filme esquecível do DCEU



Antes da sessão começar - esta que fui com dois grandes amigos - já se notava a diferença de Esquadrão suicida comparado à BvS. Cores, trailers ou músicas? Não era só isso. O verdadeiro diferencial estava no público. Quando assisti Batman v Superman, na estreia, me senti em um filme profundo. Não haviam crianças na minha sala, nem leigos ou curiosos. Via-se pais e filhos que estavam lá pra ver seus heróis de gerações diferentes colidirem. Sabem ?! Pessoas de 15, 13 anos de diferença se resumindo á simples e banais fãs de quadrinhos. Foi então que decidi que ia ver o filme e o comportamento de quem também ia dividir a experiência comigo.

Logo de início fui muito cativado pela escolha de cores do filme, que vem sendo apresentada ao publico desde o segundo trailer. Mas não é um mar de rosas. Apesar do visual descolado e moderno, os primeiros 30 minutos não são o bastante pra salvar a obra como um todo. Não sei se esse era o filme de David Ayer mas não é o filme que aparentava ser. A Warner Bros. sempre foi conhecida pela liberdade com que seus diretores podem executar seus filmes. Mas é incrível como os problemas de Esquadrão são quase os mesmos que os da versão de cinema de BvS.

Edição estranha, cortes e montagem carente de boas cenas – Deletadas do material original – fazem o filme ser apenas uma colagem de clipes que foram colocados em ordem. Não tem um momento em que a película para pra desenvolver melhor a relação de alguns personagens. Explicam em clipes quem eram eles antes de serem presos, mas apenas com essas poucas cenas, esperam que criemos vínculo emocional com o grupo. Alguns tem desenvolvimento sim. Pistoleiro, Arlequina e El Diablo são os holofotes da obra. O ultimo inclusive consegue ser o mais cativante deles. Mérito pra Jay Hernandez, que foi o responsável por pensar no passado do personagem. Viola Davis entrega uma Amanda Waller que demonstra o por que está onde está. E seria ótimo vê-la interagir com membros da Liga no futuro.



Katana, Bumerangue e Flagg são personagens que complementam a equipe em número, mas não agregam nada demais. Um dos personagens tem um relacionamento tão forçado e mal escrito que chega a doer.

Todo esse papo nos leva ao maior problema do filme. O maldito terceiro ato. Vilão péssimo, motivação nula e final clichê. Lembra quando você viu Watchmen pela primeira vez e riu do Ozy dizendo que não era um vilão de quadrinhos? Bom, esse é. E é um vilão ao estilo Scooby Doo ou outro desenho que o vilão para pra explicar sua maleficência e discursar seu plano obscuro.
E antes das considerações finais, quero dizer que senti muita pena do Leto. Ele foi o mais prejudicado com essa mudança tonal que foi tão brusca e repentina. Cenas abruptamente cortadas, cenas tão essenciais quanto qualquer outra do Will Smith. E se tem alguém que vai saber aproveitar o Leto é o Affleck. Isso mesmo. O homem que você mais odiou é a maior esperança de um filme completo. Tanto tecnicamente quanto no que se refere a essência do universo do morcego.

Regular

Consenso Apesar de divertir a audiência como a maioria dos blockbusters costuma e deve fazer – Já que o filme conta com inúmeros alívios cômicos - no fim, Esquadrão Suicida é um total desperdício da possibilidade de contar uma boa história. Não sabemos quem foram os culpados e quem tem a melhor versão, mas é claro pra qualquer um que o filme sofreu alterações bem feias. Os pontos altos, as atuações, infelizmente não tem poder de mudar o que temos. Em um filme onde caras maus são o centro das atenções, o verdadeiro culpado pela falha do filme ainda é um vilão desconhecido do público.



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