Jared Leto: Injustiçado ou Incapaz?


Esquadrão Suicida sempre foi muito grande. Ou pelo menos era o que o filme aparentava ser quando seu elenco foi anunciado. Nomes como Will Smith, Margot Robbie, Tom Hardy - que até aquele momento era o escolhido para dar vida à Rick Flagg - pareciam ser muita cobra pra um ninho só. Mas no meio de toda essa confusão, de todos esses personagens, um nome se destacou mais que os outros. Jared Leto. E se engana quem pensa que o vocalista da banda Thirty Seconds to Mars era subestimado ou superestimado, afinal, não muito tempo atrás ele havia recebido um prêmio da Academia de melhor ator coadjuvante por sua brilhante interpretação de Rayon em "Clube de Compras Dallas". Jared era dúvida de alguns por simplesmente carregar o que podemos chamar o papel mais pesado de todos os tempos, só que dos últimos anos. O Coringa.


Muitos vieram antes dele, claro. O personagem tem mais de 70 anos de história e isso é mais do que suficiente para lhe dar diferentes interpretações. César Romero era um complemento perfeito pra série descompromissada e divertida de Adam West nos anos 60. Jack Nicholson era o gângster que complementava o Batman taciturno e meio noir de Tim Burton. Cada um funcionava perfeitamente nas suas propostas. Mas então veio ele, Heath Ledger. O ator que trouxe uma grandiosidade tão imensurável ao papel que até mesmo hoje, quase dez anos após o lançamento de Cavaleiro das Trevas, ele é o parâmetro de comparação para qualquer um que se arrisque a interpretar o personagem em mídias audiovisuais. Juntando-se apenas à Mark Hamill, que com um trabalho equivalentemente brilhante, se imortalizou como o Palhaço Príncipe do Crime na cabeça de muitos.

O trabalho de Jared não era fácil. As pessoas são cruéis quando alguém marca elas com uma interpretação tão forte quanto a de Ledger. Pode ter certeza que isso pesa em qualquer um, afinal, alguns chegam a dizer que o Heath foi o primeiro caso de homicídio de um personagem. Não leva muito pra encontrar vários trabalhos acadêmicos sobre isso. Mas as pessoas são abriram mão. E deram menos chances ainda quando vieram as imagens. Quando vieram trailers.

Quem teve essa ideia estúpida de pôr tatuagens no Coringa? Quem foi o imbecil que pensou isso?

Bom, temos que concordar o exagero nisso em algumas partes, mas o objetivo aqui é outro. Quando o filme saiu, vimos que não era muito bem o que esperávamos que fosse. Algumas coisas menos ainda. Jared reclamou que seu trabalho havia sido reduzido consideravelmente, comparado com o que seu contrato havia prometido. Reclamou das exigências da Warner quanto às suas atividades esportivas. Qualquer um que o acompanhe nas redes sociais sabe o quanto o ator gosta de escalar. E isso não era permitido na época das gravações. Mas a pior coisa que ele pode ter ouvido não tem nada a ver com esportes. Leto teve que ouvir a internet toda (ou pelo menos uma grande parte dela) dizer que ele não tinha sido nada comparado à encarnação anterior. E ele teve que ouvir isso com menos de 20 minutos em cena.

Vinte minutos dividos em um filme mal escrito e mal resolvido. Contra um ator que - apesar de ter entregado uma interpretação diviníssima - teve praticamente um filme todo pra mostrar seu trabalho. Um ator que infelizmente, não teve a oportunidade de receber tantos aplausos quando o filme saiu. Talvez, o ator que mais tenha se entregado num filme do gênero. Um gênero tão novo quanto esse.

Veja bem leitor, não quero convence-lo de que Jared Leto foi um bom Coringa. Lembrem-se que sempre os incentivei a pensar por conta própria e formarem suas próprias opiniões. Mas quero apenas que em suas cabeças, tenham total noção de que o ambiente criado, as ideias expostas e o tempo de tela não foram nada favoráveis ao ator. Lembrem-se que superar as expectativas de alguma coisa que você tem um carinho especial é muito difícil. Muitas pessoas descobriram sua paixão pelo Batman e sua relação com o Coringa através dos filmes de Nolan.

Jared Leto é sem dúvidas um dos melhores atores da atualidade. Além de sua versatilidade, ele se entrega completamente ao papel e ao universo que lhe é proposto. Poucos fazem isso quando se trata de um filme de quadrinhos, simplesmente por que não consideram merecedor de tanta seriedade quanto os demais. Temos vários filmes pela frente. Vários que abordam o universo do morcego. Então só nos cabe esperar e torcer pra que em um desses, Jared seja capaz de entregar não só a nós, mas como a si mesmo, a versão ideal de seu próprio Coringa.

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